
Hipertensão: silenciosa, doença atinge um em cada três brasileiros
O Dia Mundial da Saúde, comemorado neste domingo (07), coloca em debate a
hipertensão arterial, responsável por 45% dos ataques cardíacos e 51%
dos acidentes vasculares cerebrais, segundo a Organização Mundial da
Saúde. Silenciosa, a doença não apresenta sintomas na maioria dos
casos, segundo o cardiologista da Sociedade Brasileira de Hipertensão,
Heno Ferreira Lopes, e os casos só aumentam, indica pesquisa do
Ministério da Saúde: a proporção de brasileiros diagnosticados passou de
21,6% em 2006, para 23,3% em 2010. "Hoje, no Brasil, um em cada três
brasileiros em idade adulta sofre com a pressão arterial elevada", disse
o presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, Roberto Franco.
"A maioria dos pacientes hipertensos não sente absolutamente nada porque
a doença se vai se desenvolvendo aos poucos na vida da pessoa. Começa
lá embaixo e vai aumentando no decorrer dos anos. O organismo vai se
acostumando com a pressão e não emite alerta", explicou Lopes. A ação
discreta da hipertensão culmina no descobrimento tardio. Apenas quando a
doença não é crônica, é possível perceber sintomas nos picos de pressão
alta, como desconforto no peito, dores de cabeça, na nuca e visão com
pontos cintilantes.
Após anos de estudo, segundo o cardiologista, a pressão ideal foi
definida em 140 por 90. "Maior, é considerada hipertensão", reforçou
Lopes. Os números citados, aplicados na prática, representam a tensão
nas paredes dos vasos sanguíneos gerada pelo bombeamento do sangue, que é
feito pelo coração. O número maior indica a pressão provocada quando o
coração se contrai para distribuir o sangue e o menor, quando ele
relaxa.
A pressão alta pode começar cedo, segundo Lopes, 3% das crianças e
adolescentes enfrentam o problema no mundo. No entanto, ela costuma "se
instalar" entre 30 e 50 anos e tem mais risco de se desenvolver conforme
a idade. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, o índice de
pacientes com idade entre 18 e 24 anos é de 8% contra 50% para a faixa
etária acima de 55 anos. O diagnóstico de hipertensão é maior em
mulheres (25,5%), do que em homens (20,7%).
Além dos riscos de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral, a
pressão alta pode prejudicar a visão, disse o oftalmologista Rento Braz.
Segundo ele, a doença crônica provoca alterações na micro circulação,
enrijece as artérias e pode causar trombose na retina. "É um quadro
agudo, o sangue não passa pela veia, ocorre hemorragia e o
comprometimento da visão", detalhou
O histórico genético tem alto peso sobre a incidência da hipertensão.
"Se o pai e a mãe têm, a chance é de 50%. Se apenas um dos genitores
possui, vai para 30%. Mas mesmo quando o caso não é com os pais, mas com
avôs, existe o risco", disse Lopes. Maus hábitos alimentares, consumo
de alimentos industrializados, obesidade, bebidas alcoólicas, uso
frequente de descongestionantes nasais e abuso do sal intensificam os
riscos. Pessoas com problemas renais, endocrinológicos,
hipertireoidismo, hipotireoidismo, entre outras, têm mais tendência a
desenvolver o problema.
A prevenção, segundo os especialistas, é evitar todos os hábitos que
aumentam a incidência da doença. "A receita é não ser sedentário,
consumir legumes e frutas, controlar o consumo de bebidas alcoólicas e o
estresse", enumerou o cardiologista. O tratamento inclui uma rotina
mais saudável e o uso de medicamentos de acordo com o perfil do
paciente.
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