 A
situação hídrica na Paraíba está sendo considerada crítica por
especialistas. Dos 121 mananciais monitorados pela Agência Executiva de
Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), em parceria com a
Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), 56 estão com a
capacidade abaixo de 20% do total, sendo que destes, 15 estão com o
nível de água menor do que 5%. Os outros 65 mananciais estão acima de
20% da capacidade. As informações foram divulgadas no primeiro dia da
programação da Semana Mundial da Água.
De acordo com o gerente regional de Bacia Hidrográfica da Aesa e
coordenador do Programa Água Doce na Paraíba, Isnaldo Cândido da Costa,
os mananciais da Paraíba estão com um déficit de 63% da capacidade total
de água. “Se todos os mananciais monitorados por nós no Estado
estivessem cheios, a capacidade de armazenamento da Paraíba seria de
quatro bilhões de metros cúbicos (m³), mas atualmente temos apenas 1,3
bilhões/m³, ou seja, 37% de sua capacidade total”, afirmou.
Conforme Isnaldo Cândido, apenas o Litoral paraibano está com a situação
hídrica considerada confortável, pelo próprio manancial da região e
pelo sistema integrado de abastecimento utilizado pela Cagepa. “O que
não significa dizer que a população deva usar a água de forma
desordenada. É preciso que as pessoas tenham racionalidade no uso,
considerando que não dá para manter as mesmas atividades de quando os
níveis de água estavam de normais a alto”, observou.
Isnaldo Cândido disse que os açudes do Brejo paraibano não estão
comportando a demanda dos municípios, onde os pequenos mananciais já
passam por situação de alerta. Na Região do Agreste, Cariri e Curimataú,
o estado do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) também é preocupante,
pois atualmente está com 223 milhões/m³ de água, o que representa apenas
54% da capacidade total. “Ele (açude) tem uma demanda altíssima, já que
abastece 18 municípios e sete distritos, onde cerca de um milhão de
pessoas dependem dessa água. E aí, a situação fica ainda mais complexa
na zona rural”, frisou.
Já no Sertão, Isnaldo Cândido alertou para a situação dos mananciais
Coremas e Mãe D'água, que desde novembro do ano passado estão assolados
devido a falta de chuva. Em Cajazeiras, o açude Engenheiro Ávidos está
com 37 milhões/m³ de água, apenas 14% da capacidade total.
Segundo o diretor de Gestão e Apoio Estratégico da Aesa, Chico Lopes, o
principal foco da Semana Mundial da Água, iniciada ontem e que acontece
até a próxima sexta-feira em todo o Estado, será o discurso racional da
água. “Nós precisamos entender o momento crítico que estamos vivendo e
ter a conscientização de usar a água de forma racionalizada, ou de nada
vai adiantar reuniões entre os órgãos competentes. Portanto, precisamos
da parcela de contribuição da população”, disse. “Se até o dia 30 não
chover o suficiente, teremos que discutir outros meios para a solução da
seca”, completou.
'ÁGUA DOCE' CONTRA A ESCASSEZ
Por conta da escassez de água e ocorrência de águas salinas e salobras
nos poços no Semiárido, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em conjunto
com instituições federais, estaduais e organizações da sociedade civil,
formulou o Programa Água Doce, visando aumentar a oferta de água de boa
qualidade para o consumo humano. Na Paraíba, a coordenação do programa
afirma que, até 2015, serão recuperados e/ou implantados 93 sistemas de
dessalinização, que transforma a água salina ou salobra em potável.
O coordenador do Programa Água Doce (PAD) na Paraíba, Isnaldo Cândido,
disse que das 279 localidades do Estado, listadas pelo MMA, 131 delas já
foram visitadas e 21 sistemas de dessalinização recuperados. O PAD visa
o estabelecimento de uma política pública permanente de acesso à água
de boa qualidade para o consumo humano, promovendo a implantação, a
recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental e
socialmente sustentáveis.
ESPERANÇA NO DIA DE SÃO JOSÉ
A esperança que chova até o fim do dia de hoje, dia de São José, é a
motivação para Francisco José Divino, 70 anos, que trabalha há mais de
50 anos como agricultor. Devoto do' milagreiro', o morador do bairro de
Santo Antônio, em Campina Grande, caminha cerca de três quilômetros por
dia para preparar a terra e ver se concretizar a fé que carrega em seu
sobrenome.
Empolgado com o céu nublado na manhã de ontem, o trabalhador chegou cedo
em seu roçado e fez questão de deixar pronta sua parte para agora
esperar as bençãos do céu. “Olha para cima e pedir chuva é não só a
minha, mas a última esperança para muita gente que trabalha com a terra.
Já plantamos e perdemos muita coisa desde o ano passado, a nossa fé é
que daqui para amanhã (hoje) caia chuva com a terra preparada para
podermos tirar alguma coisa”, projetou.
De acordo com a meteorologista da Aesa, Carmem Becker, há previsões de
chuva para esta semana, no entanto ainda não é possível avaliar a
quantidade pluviométrica.
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