Joaquim Barbosa, togado ou troglodita
No país da impunidade, isso é motivo suficiente pra virar herói. Nem que tal simpatia seja conquistada com a arbitrariedade de colocar a ânsia popular sobre o próprio direito ou legislação em vigor.
Ao assumir a presidência do STF e, por tabela, do Conselho Nacional de Justiça resolveu comprar logo uma briga que, apesar de receber apoio popular fácil, bate de frente com uma classe – a dos magistrados- dita mais poderosa que as demais.
A causa é boa. Mas, como ensina Gandhi, deve ser defendida sem violência. Exatamente por ser boa.
Sofrendo de um problema crônico de “dono da verdade”, Barbosa detesta ser contestado. Seja em julgamentos, seja nos debates públicos. Faltam-lhe nervos para encarar contrapontos.
Eis onde se perde. De defensor das massas contra a impunidade e a lentidão do e no Judiciário, Barbosa passa rapidinho a um arrogante, pernóstico, egocêntrico e autoritário homem de toga.
A forma com que tratou repórter do Estado de São Paulo após deixar sessão no CNJ e ser abordado pela imprensa que queria saber dele respostas é típico de chefes de estados ditadores, em épocas que o Brasil já baniu há tempos.
Sem mais nem menos, Barbosa chegou a mandar o repórter “chafurdar no lixo” sem lembrar que, como homem da Justiça, deveria dar, mais do que ninguém, o exemplo do respeito ao próximo.
Depois do absurdo, nem sequer pediu desculpas. Quer dizer, pediu, mas em nota assinada pelo chefe da comunicação do STF. É como se não quisesse se curvar a tanto.
O Joaquim Barbosa que inspira é, portanto, o mesmo que deseduca, mostrando que o homem de toga no Brasil pode continuar ainda se achando melhor do que os demais.
Veja abaixo a transcrição do diálogo com o repórter:
— Presidente, como o senhor está vendo…?
Joaquim Barbosa atalhou o repórter antes que ele pudesse completar a pergunta.
— Não estou vendo nada! Me deixa em paz, rapaz. Me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre.
— Que é isso ministro, o que houve?
— Estou pedindo, me deixe em paz. Já disse várias vezes ao senhor.
— Eu tenho que fazer pergunta, é meu trabalho…
— Eu não tenho nada a lhe dizer, não quero nem saber do que o senhor está tratando.
Defronte do elevador, Barbosa dirigiu ao repórter um derradeiro adjetivo.
— Palhaço!
Veja desculpa dada pela assessoria de Comunicação do STF
Em nome do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Joaquim Barbosa, peço desculpas aos profissionais de imprensa pelo episódio ocorrido hoje, quando após uma longa sessão do Conselho Nacional de Justiça, o presidente, tomado pelo cansaço e por fortes dores, respondeu de forma ríspida à abordagem feita por um repórter. Trata-se de episódio isolado que não condiz com o histórico de relacionamento do Ministro com a imprensa.
O ministro Joaquim reafirma sua crença no importante papel desempenhado pela imprensa em uma democracia. Seu apego à liberdade de opinião está expresso em seu permanente diálogo com profissionais dos mais diversos veículos. Seu respeito pelos profissionais de imprensa traduz-se em iniciativas como o diálogo que iniciará no próximo dia 07 de março, quando receberá em audiência o Sr. Carlos Lauria, representante do Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), ONG com sede em Nova Iorque.
Wellington Geraldo Silva
Secretário de Comunicação Social – SCO
Supremo Tribunal Federal”
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