 Um
menino de 7 anos apresentou queimaduras na região labial após ingerir
um suco de uva da marca Ades na noite desta segunda-feira (18). “Quando a
mãe deu o suco ao filho, com duas horas depois ele apresentou a
queimadura. Ela contou que só fez associação entre a queimadura e a
ingestão do suco dessa marca após ler uma notícia semelhante”, disse o
delegado Magno Toledo, plantonista da 9ª Delegacia Distrital, em João
Pessoa, onde o caso foi registrado. A assessoria da Ades informou que o
problema se restringe a um lote específico do suco de maçã.
Magno Toledo afirmou ainda que o menino estava normal. “No entanto, pedi
para que a mãe fizesse exames no Instituto de Medicina Legal, porque se
queimou os lábios, e se essa queimadura foi causada pela ingestão do
suco, certamente comprometeu outros órgãos da criança, como o esôfago,
por exemplo”, acrescentou.
O delegado Magno Toledo informou que o caso será investigado pela 3ª
Delegacia Distrital. “Um inquérito será aberto para apurar se a criança
teve essa queimadura, cuja dimensão vai ser apontada pelos exames, por
causa do suco ou não", finalizou.
Apesar disso, através de nota, a Unilever, que tem respondido pela Ades
sobre o assunto, comunicou que o problema de qualidade limita-se a 96
unidades de Ades sabor maçã, 1,5 litros, lote AGB25, produzidas na linha
TBA3G na fábrica de Pouso Alegre e distribuídas nos estados de São
Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A assessoria informou ainda que já tomou
conhecimento do caso paraibano, mas que não há comprovação de que o
suco de uva tenha causado problemas.
A gerente de alimentos da Vigilância Sanitária da Paraíba, Raquel
Ataíde, disse que um comunicado foi enviado a todos os estabelecimentos
do estado para que retirem das prateleiras todos os produtos da marda
Ades. "Nós estamos cumprindo o que manda a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) que determinou a suspensão da
comercialização de todos os produtos dessa marca".
Raquel Ataíde disse que ainda desconhecia o caso, mas considerou
provável a possibilidade de a criança ter tido queimaduras por conta da
ingestão do suco. "Inicialmente, apenas os lotes do suco de maçã
apresentaram problemas. Depois, consumidores de outros estados começaram
a se queixar de queimaduras com a ingestão de sucos de outros sabores
da marca Ades. Por isso, eu considero bastante procedente tal
possibilidade", afirmou.
A gerente de alimentos da Agevisa disse ainda que os produtos só
passarão a ser vendidos nos estabelecimentos e supermercados paraibanos
após análise feita pelo Laboratório de Saúde da Paraíba. "Iremos
verificar o PH desses produtos. Quando sair o resultado dessas análises,
que ainda não temos previsão, é que podemos dar o nosso parecer para a
comercialização desses produtos ou não", acrescentou.
Procon
O Procon da Paraíba recolheu em João Pessoa, na tarde desta terça-feira
(19), 567 litros de suco da marca Ades. A ação aconteceu em atendimento à
resolução da Anvisa publicada no Diário Oficial da União da última
segunda-feira (18), que determinou a suspensão da comercialização, em
todo o país, de determinados sabores e tipos de sucos da marca.
Durante a tarde desta terça, fiscais do Procon visitaram cinco
estabelecimentos na capital paraibana. Em dois deles, os produtos com
comercialização suspensa pela Anvisa já não estavam mais à venda. Nos
outros três, onde foi observada a comercialização, foram aplicados autos
de constatação e os gerentes foram orientados.
“Advertimos os gerentes de que se os produtos voltarem às prateleiras
antes de uma nova definição da Anvisa, o estabelecimento será multado e,
como se trata de um crime contra a saúde pública, o responsável pode
até ser preso”, ressaltou o secretário executivo do Procon-PB, Marcos
Santos, que também participou da ação.
Orientações ao consumidor
A gerente de alimentos da Agevisa explicou ainda é que o consumidor não
consuma nenhum produto da marca Ades. "Nós fazemos a nossa parte. No
entanto, é superimportante que as pessoas sigam as recomendações dos
órgãos de saúde e não consumam nenhum produto dessa marca. Essa é a
única maneira segura que o consumidor tem para evitar acidentes
alimentares", declarou.
Raquel Ataíde enfatizou ainda a importância de as pessoas que se
sentirem prejudicadas pelo consumo dos produtos da marca Ades levar uma
amostra para a Vigilância Sanitária do estado. "Para fazermos uma
análise melhor e, assim, adotarmos as providências mais cabíveis",
finalizou.
Nota da Unilever Brasil
Na segunda-feira, 18.3.13, a ANVISA publicou a Resolução RE 1005, em que
decidiu de forma preventiva suspender a produção de novas unidades de
ADES na linha TBA3G, uma das 11 linhas de fabricação de ADES. A ANVISA
também suspendeu a distribuição, comercialização e consumo de todos os
lotes fabricados nesta linha TBA3G, identificados com as iniciais AG.
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário